Resenha | As heroĆnas (Kristin Hannah)
- Feb 24
- 5 min read
Updated: Mar 9
OlĆ”!
Hoje passando para falar sobre um livro de uma autora que eu gosto demais. Sabe quem? Ela mesma, a Kristin Hannah!
Recentemente li "As heroĆnas" que foi um dos Ćŗltimos lanƧamentos dela e que eu tive a sorte de conseguir em uma troca pelo antigo sistema de trocas do skoob. AliĆ”s, eu sigo muito muito triste que nĆ£o temos mais esse sistema pois consegui livros maravilhosos por ele! Confesso que nem era o livro que eu tinha intenção de ler na sequĆŖncia, mas... acabei pegando para ler porque foi o escolhido para a leitura no grupo de amigas que eu participo.
E, novamente, Kristin me surpreendeu demais. Esse livro conta a história de uma jovem chamada Frances (Frankie), recĆ©m formada enfermeira, de famĆlia financeiramente bem estabelecida da regiĆ£o da California (Coronado Island) que parte em uma jornada que vai transformar e impactar toda a sua vida.
Um pouquinho mais do enredo...
Criada por pais superconservadores e tendo sido a menina "certinha" por toda sua vida, Frankie observa que seus pais respeitam e adoram a tradição militar dos homens da famĆlia: quase todos veteranos de guerra. Um dia, em 1966, na festa de despedida do seu irmĆ£o Finley (que estĆ” prestes a partir para a guerra do VietnĆ£), Frankie escuta de um homem a seguinte frase: "Mulheres tambĆ©m podem ser heroĆnas".
Muito impactada por essa frase e pelo legado da famĆlia (que Ć© tĆ£o admirado por todos), Frankie decide se alistar como voluntĆ”ria na guerra e acaba indo ao VietnĆ£ para servir como enfermeira.
A primeira parte do livro acaba focando em Frankie e nela no meio do caos da guerra. Passamos a acompanhar Frankie lidando com cenÔrios de caos e destruição enquanto ela serve como enfermeira. Nesse trecho Frankie se desenvolve como pessoa, passa a questionar coisas de seu passado, faz amigas e vive o dia a dia em uma realidade que a maioria de nós nem é capaz de imaginar.
O legal é que toda essa fase e esse desenvolvimento pessoal é marcado por detalhes sutis no decorrer da história. Ao mesmo tempo que vemos uma Frankie amadurecendo "na marra", percebemos um desejo de se adaptar também a uma vida que a espera em casa. Isso no livro é muito bem mostrado pelas cartas que ela troca com os pais e pelos seus pensamentos a atitudes na questão de seus relacionamentos. Porém, em um determinado momento, Frankie acaba por perceber que aquela vida antiga nunca mais serÔ a mesma.
A segunda parte do livro mostra Frankie retornando da guerra e tendo que lidar justamente com aquela vida antiga que foi tĆ£o difĆcil abandonar. Ela volta da guerra animada, pensando sobre o futuro, sobre como agora poderĆ” exercer a enfermagem e seguir uma vida feliz e cheia de planos como ela imaginou. Afinal, nada pode ser igual ao que ela passou na guerra. Ou serĆ” que pode?
Pausa aqui para pegar lencinhos porque a segunda parte chega com tudo...
Na volta da guerra, Frankie chega em uma "casa" (aqui leia-se mundo e sociedade) que jĆ” nĆ£o fecha com tudo que Frankie hoje leva como valores. AlĆ©m de enfrentar a própria negação de sua famĆlia em reconhecĆŖ-la por tudo que ela viveu, ela tambĆ©m enfrentarĆ” a sociedade, que simplesmente nĆ£o reconhece as mulheres voluntĆ”rias de guerra como veteranas.
Vou parar o resumo aqui para não entregar spoilers, mas... posso garantir que essa segunda parte é muito cheia de acontecimentos e reviravoltas, apesar de quebrar bastante o clima da primeira parte e parecer um pouco enfadonha justamente por isso. Frankie basicamente precisarÔ traçar toda uma nova jornada igualmente devastadora para que possa encontrar seu lugar e sua voz no mundo.
Minhas impressƵes e pensamentos:
Bom, que eu amo as histórias contadas pela Kristin não é nenhuma novidade. O que me pega muito positivamente em seus livros é que ela tem uma escrita que quase nos coloca no meio dos acontecimentos. à sempre uma escrita muito potente, muito imersiva.
Essa história trouxe temas bem interessantes como a sororidade, a invisibilidade feminina, o trauma, entre outros tópicos que eu achei muito legais. Além disso, gostei muito da ambientação e do contexto ser sobre uma guerra que a literatura de ficção não explora tanto.
Apesar de Frankie ser uma personagem que inicialmente não tinha nenhum grande fator de identificação comigo, consegui logo me afeiçoar a ela. Ela é uma personagem que faz com que a gente se envolva (pelo menos eu me envolvi). O mais interessante da minha experiência de leitura foi que eu discordei de muitas escolhas e atitudes dela mas entendi que se trata da vida real e que todos nós somos humanos e sujeitos a falhas.
Inclusive, de todos os livros que eu jÔ li da Kristin, esse foi um dos que eu considerei mais realista em termos de desfecho pois a personagem não segue o curso que a maioria dos leitores imagina para ela. Enquanto leitores, é bem fÔcil julgarmos um ou outro personagem por escolhas não tão inteligentes que eles fazem. Todavia, precisamos lembrar que nós leitores conhecemos detalhes que os personagens nem sempre conhecem.
Outro ponto super positivo desse livro é toda a pesquisa histórica feita pela autora. Adoro livros desse gênero justamente porque os autores geralmente fazem pesquisas históricas e acabamos aprendendo uma ou outra coisa no meio de uma atividade de entretenimento. Adoro!
Finalizando...
Eu gostei. Eu me envolvi bastante, me senti quase junto com a Frankie na primeira parte. Fui iludida por um personagem, torci, me emocionei, me diverti (sim, apesar de todo o contexto, teve um trecho que eu achei divertidĆssimo!). Minha avaliação final Ć© de 5 ā. Eu confesso que a segunda parte foi mais enfadonha e eu estava para avaliar com 4 estrelas, mas a mensagem do Ćŗltimo capĆtulo voltou a erguer a minha nota!
Apesar de ter gostado muito, não é a obra da autora que eu mais gosto. Dessa autora eu jÔ li, nessa ordem:
Jardim de inverno
A grande solidão
O rouxinol
Tempo de Regresso
Meu livro preferido dela ainda Ć© "A grande solidĆ£o" que acho que vai ser muito difĆcil de perder seu posto.
Eu indico essa leitura para quem gosta de dramas profundos e com temas mais pesados. à um livro que relata descritivamente a guerra e outros temas como depressão, ou seja, hÔ cenas fortes e muito marcantes. Não hÔ cenas hot.
Ficha da obra:

TĆtulo: Ā As heroĆnas
Autor: Ā Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Ano: 2024
PÔginas:  572
Minha avaliação: (5/5)
Sinopse:Ā Mulheres tambĆ©m podem ser heroĆnas. Quando a jovem estudante de enfermagem Frances McGrath ouve essas palavras, sua vida ganha uma nova perspectiva. Criada na idĆlica Coronado Island e superprotegida pelos pais conservadores, ela sempre se orgulhou de fazer a coisa certa e de ser uma boa garota. Mas o ano Ć© 1966 e o mundo estĆ” mudando. De repente, Frankie comeƧa a imaginar um futuro diferente para si mesma.
Quando seu irmão vai servir no Vietnã, ela age por impulso e resolve se juntar ao Corpo de Enfermagem do Exército. Tão inexperiente quanto os soldados, Frankie logo se sente sobrecarregada pelo caos e pela destruição, mas consegue encontrar apoio em outras enfermeiras.
Ao voltar para casa, ela precisarĆ” enfrentar novos traumas diante de um paĆs dividido politicamente que nĆ£o dĆ” o devido valor aos serviƧos prestados no VietnĆ£.
Apesar de se concentrar na vida de uma Ćŗnica mulher que foi para a guerra, As heroĆnas honra as histórias de todas que se colocaram em perigo para ajudar os outros, cujo sacrifĆcio e comprometimento foram esquecidos por seu próprio paĆs.
Gostou desse post? JƔ leu algo da autora? Me conta nos comentƔrios!
Até a próxima.
n.48

