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Resenha | Such Quiet Girls (Noelle West Ihli)

  • Writer: Michelle Leonhardt
    Michelle Leonhardt
  • Dec 4, 2025
  • 5 min read

Hoje eu estou aqui para comentar sobre "Such Quiet Girls" da autora Noelle W. Ihli. Ainda inédito no Brasil, esse livro foi publicado recentemente, em 2025, na sua edição original. Porém, a autora não é nova em terras brasileiras: no momento em que escrevo esse post, seu título "Chame por Andrea" acaba de chegar às livrarias brasileiras, também em 2025.


Antes de entrar nos detalhes da trama, preciso contar o motivo exato de eu ter escolhido essa leitura. Eu estava em uma ressaca literária daquelas, no nível "não consigo engatar nada", como expliquei nesse post aqui. E foi esse livro que puxou minha mente e me trouxe de volta para o fluxo da leitura.


Sem mais delongas, vamos ao que interessa:



Sabe aquele livro que já começa com uma pitadinha de mistério? Pois então...



Essa história tem uma característica que eu gosto muito: é narrada em diferentes pontos de vista. Essa trama fala sobre um sequestro de um ônibus escolar, narrado pela perspectiva de quatro diferentes personagens:


- Jessa: motorista do ônibus (que pega as crianças na escola e leva para o programa de daycare). Ela tem algum mistério envolvendo seu passado e entendemos que ela não pode ter a guarda da filha Sophie por conta desse mistério (ela conta que a filha, que mora com a tia, seguidamente tem sonhos - pesadelos - com a mãe). Jessa fez algo no seu passado e, em teoria, ela não poderia nem ter a profissão de motorista de ônibus escolar (pelo menos é o que ela nos conta). Ela tem medo de ser descoberta pela polícia e ter que admitir que mentiu para ganhar o atual emprego.


- Sage: uma menina de 11 anos que é obrigada a frequentar o programa de contraturno escolar junto com sua irmã mais nova Bonnie (e o resto dos bebês, segundo ela) pois a família precisou se reorganizar para acolher o avô que sofre de Alzheimer. Elas frequentam comumente o ônibus dirigido por Jessa.


- Sheena: a mãe de Sage e de Bonnie. Divorciada, ela se vira em mil para dar conta do seu pai idoso e das filhas, além das demandas do próprio trabalho. Trabalha aprovando orçamento público (e é responsável por aprovar inclusive o orçamento para renovação da frota escolar). Odeia o fato de ter que mandar suas filhas para o programa de contraturno, mas é a única solução que ela tem no momento.


- Ted: um dos sequestradores. Sobre ele não darei nenhum spoiler, obviamente.



Logo nos primeiros capítulos já temos não só a apresentação dessas personagens, mas também o sequestro do ônibus. É bem grande a tensão que a autora coloca na história logo de cara: acompanhamos não só Sage percebendo que o ônibus não está fazendo o caminho habitual, bem como percebemos que Jessa não tinha muita alternativa, enquanto motorista, para evitar o sequestro (ela provavelmente fez algo que qualquer um de nós faria no lugar dela naquele momento). Inclusive, a descrição dos pensamentos de Jessa ao ser abordada são muito tensas. Achei isso muito bom pois já somos capazes de entrar em um estado de inquietação, criando um clima que te deixa curioso para saber porque alguém sequestraria o ônibus, com que objetivo? Vingança, talvez (já que Jessa tem um passado misterioso)? Acaso (alguém precisava de dinheiro e o onibus foi o primeiro a passar na armadilha)? Até esse ponto, não temos como saber!


Como se não bastasse essa tensão inicial, logo em seguida somos apresentados ao ponto de vista dos personagens que sequestram o onibus (Ted, o mandante, e Andy, o comparsa). Interessante o jogo que a autora faz aqui. Alguns capítulos são narrados pelo ponto de vista de um dos sequestradores e acompanhamos seus pensamentos e emoções enquanto ele e seu comparsa colocam o plano em prática (sim, ficamos sabendo que trata-se de um sequestro planejado). Também ficamos sabendo do motivo pelo qual o sequestro foi planejado e um breve flashback do passado de um dos sequestradores. E aí novamente aparecem as perguntas: será que a autora vai justificar o sequestro pelo passado do sequestrador? porque eles escolheram aquele ônibus escolar?


A motorista e as crianças são então levadas a um cativeiro que é nada mais do que um container de navio que foi enterrado em uma pedreira a mais ou menos 6 metros de profundidade. A partir daí todo o resto dessa história se desenrola: acompanhamos o ponto de vista de cada personagem até o desfecho: as crianças enterradas junto com a professora (sobrevivendo, lidando com o medo individual de cada uma e a tentativa de fazer alguma coisa), a mãe lidando com a situação e tentando pensar no que fazer (obdecer ou não aos sequestradores? Acionar ou não a polícia?) e os sequestradores (o impacto de cada decisão ou acontecimento).



Inspirado em um evento real...


A autora coloca que essa história é inspirada em um evento real. Esse já é um outro motivo que me chamou muito a atenção e, quando pesquisei, encontrei que o evento que inspirou a história ocorreu em 1976, em Chowchilla, na California. Preferi não colocar links aqui falando do evento em si para evitar alguns apoilers dessa trama, mas basta uma procura rápida pelo ano e pela cidade na internet que você encontra maiores detalhes.


Apesar de ser inspirado em um evento real, a autora obviamente construiu uma história de ficção. Isso significa que nem tudo o que acontece na trama do livro também aconteceu na vida real e vice-versa, mas só o fato de saber que eu estava lendo uma história inspirada em um evento real já fez com que eu tivesse alguns calafrios.




Minhas impressões:



página de such quiet girls com destaque para passagem de tempo

Eu gostei dessa leitura. Logo de cara já me senti presa na história, cheia de dúvidas e buscando respostas. Uma coisa que achei bem legal é que mesmo tendo o POV do sequestrador desde o início, a tensão ainda é mantida pois a escrita não nos esclarece todos os pontos da história logo de cara.


Senti uma certa agonia acompanhando o período em que as crianças ficaram no cativeiro. Essa parte do livro é toda narrada com uma contagem de tempo na abertura dos capítulos (tipo: "quatro horas enterrados"), trazendo uma sensação de desconforto crescente, na mesma medida em que o tempo em que as crianças estão debaixo da terra vai aumentando.


O desfecho também gostei bastante pois o final da história é bem tenso. Especialmente os últimos capítulos trazem de volta todo o frenesi do início. Por vezes, confesso, cheguei a pensar que não seria possível (ou plausível) que certas coisas acontecessem, mas... lendo sobre o caso real que inspirou o livro, percebi que não só seria possível como algumas coisas realmente aconteceram.


Avaliei a obra com quatro estrelas pois algumas coisas achei que poderiam ter sido melhor desenvolvidas, por exemplo, a questão do passado de alguns personagens.



Ficha da obra:



Capa do livro "such quiet girls"


Título: Such quiet girls

Autor:  Noelle W. Ihli

Editora: Dynamite Books (ainda não publicado no Brasil)

Ano: 2025

Páginas:  354

Título Original:  Such quiet girls

Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐ (4/5)






Finalizando...


Para mim esse livro foi uma boa escolha para me tirar da ressaca literária. Saber que a história foi inspirada em um fato real aumentou a tensão e me deixou curiosa. Fiquei pensando em como a ficção as vezes só amplifica os medos que já temos no mundo.


E você: se sente da mesma forma? Conhecia o caso que inspirou o livro? Me conta nos comentários se esse tipo de leitura te atrai.


Até a próxima!

n.43

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