Resenha | Atmosfera (Taylor jenkins Reid)
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Olá leitores, tudo bem?
Hoje eu venho trazer a resenha e as impressões sobre um livro de uma autora um tanto famosa da literatura contemporânea. Sim, estou falando de Taylor Jenkins Reid, autora de vários sucessos recentes das bookredes (você já deve ter ouvido falar dela, provavelmente!)
Um pouco sobre o enredo
Esse livro conta a história de Joan, uma mulher que sempre foi fascinada pelo espaço e pelas estrelas, mas que leva uma vida tranquila atuando como professora universitária e ajudando a irmã a tomar conta da sua sobrinha, a pequena Frances. Um dia, quando a NASA abre uma seleção para mulheres cientistas que desejam ingressar em um programa de astronautas, Joan decide se candidatar e acaba sendo selecionada.
Joan se muda para Houston e começa então o treinamento para se tornar astronauta. Lá, ela passa a conviver com um grupo bastante diverso de candidatos, cada um com sua personalidade, seus sonhos e seus próprios conflitos. É nesse ambiente que Joan constrói amizades e começa a descobrir uma vida muito diferente daquela que imaginava para si, em vários aspectos.
Quatro anos depois, durante uma missão espacial, Joan vive uma situação delicada, enfrentando o peso de escolhas que podem transformar para sempre o seu lugar no mundo.
Minha experiência de leitura, sentimentos e impressões
Eu comecei a ler esse livro um pouco "no escuro". Apesar de ter ouvido falar muito da autora, sou aquele tipo de pessoa que não gosta muito de pegar para ler autores que estão muito badalados nas redes pois eu acabo criando expectativas demais, sabe? Quando um autor se torna muito badalado, a chance de frustração aumenta já que as pessoas falam muito.
Eu nunca tive vontade de ler Taylor porque os temas que ela aborda iam mais naquela linha celebridades, mundo da fama, s4x0, dr0g@s e rock 'n' roll. Honestamente, são temas de fundo que eu não gosto tanto. Mas aí ganhei esse livro de presente de uma pessoa que eu amo demais e que escolheu por ter visto que o pano de fundo era justamente a NASA (e esse é um tema que eu curto bastante).
Decidi que eu ia ler sem pesquisar nada a respeito, a única coisa que eu sabia era o que dizia a sinopse: Nasa, mulheres na ciência, um romance e um grande conflito envolvendo essa atmosfera espacial. Eu tive uma experiência de altos e baixos com essa leitura e vou detalhar aqui como me senti em cada momento.
Esse é um daqueles livros que ja começa mostrando brevemente a cena final. Já somos apresentados ao ponto de tensão da trama, aquele que vai nortear o desfecho. Adoro quando livros começam dessa forma, é um detalhe que me instiga bastante. Só que aqui, nessa história, essa cena inicial deslizou em alguns detalhes que me pareceram completamente inverossímeis. Eu não quero dar spoilers e, portanto, não posso dizer exatamente o que causou essa minha pequena revolta leitora, mas posso dizer que envolve alguns personagens exaustivamente treinados para uma função que tomam deliberadamente uma decisão idiota. Não consigo perdoar esse tipo de decisão criativa em livros cujo pano de fundo é justamente científico.
O resto da primeira parte da história me encantou. A autora foi conduzindo todo o universo dos anos 80, da missão do ônibus espacial, do treinamento dos astronautas, da experiência de uma mulher em um ambiente predominantemente masculino... tudo isso de uma forma muito gostosa de se ler. Eu fiquei realmente muito imersa no contexto da história.
Além disso, a própria capa já diz que é uma história de romance, então lógico que o romance foi sendo desenvolvido junto com todo o direcionamento da vida da protagonista. E eu, que normalmente não sou super fã de romances românticos, gostei. Eu achei que ia ser chato, que ia ser focado só no romance, que a vida toda da personagem ia ter como foco o interesse amoroso, mas não... achei bem desenvolvido e bem construído justamente porque existiu todo um universo que ia se desenrolando e a protagonista estava atrás de um sonho de infância (ou seja, o romance era só mais um aspecto da história, da vida da personagem principal, mas não o foco).
Depois, quando chegamos na segunda parte, aí sim o foco passa a ser mais o romance. Essa parte eu entendi que deveria existir, porém eu não gostei tanto. E não foi nem pelo romance em si, mas porque a autora meio que se perdeu um pouco (lembre-se que aqui é puramente a minha opinião pessoal). Todo aquele universo Nasa foi deixado um pouco de lado e, no lugar, apareceram duas coisas que me dividiram: por um lado a autora explorou uma discussão meio filosófica sobre ciência e religião enquanto que, por outro, ela aprofundou um núcleo secundário de personagens.

Confesso que a parte filosófica me incomodou um pouco. Achei que foi um pouco demais dentro da forma como a narrativa vinha sendo conduzida. A crítica aqui é que a quebra de narrativa foi grande, o assunto não foi sendo introduzido aos poucos dentro da história. Ora, a autora vinha explorando vários subtemas devagar, pincelando aqui e ali, até que pudesse dar ao tema maior visibilidade. Até mesmo o romance, que impacta bastante a protagonista, é lento, ela passa por uma série de questionamentos pessoais até o clímax. Então eu não gostei desse trecho filosófico, apesar de achar o assunto pertinente.
Já a parte do desenvolvimento do núcleo secundário, eu amei. Deu uma complexidade maior para Joan e explorou um tema bem interessante. Eu me irritei profundamente com a irmã de Joan e me apaixonei pela sobrinha.
A evolução para o final da história foi outro momento que me deixou dividida: o elemento de tensão da história é interessante e você quer saber o que vai acontecer no final, não há dúvidas de que ele prende. Ao mesmo tempo, toda a força que a personagem Joan vai ganhando na primeira parte da história meio que se perde mais pro final. Quem leu o livro vai entender do que estou falando: temos uma personagem que está tendo a oportunidade de viver seu sonho, aquela oportunidade de ouro.. e aí em coisa de duas páginas tudo aquilo desmorona de um jeito tão corrido.
Não estou julgando valor da personagem aqui: é perfeitamente normal mudar os sonhos ao longo da vida, porém, a construção da narrativa é que deixa tudo estranho. De uma certa forma, o leitor vai fazendo parte daquele sonho, vai se apropriando daquele espaço, torcendo pela personagem e, de repente, a própria personagem vira pra ele e diz: sabe de uma coisa, não ligo pra isso tudo aqui não, besteira. Isso foi meio que inesperado, um tapa na cara, não gostei. O sonho poderia ter mudado, mas com o mesmo foco em conduzir o leitor usado na primeira parte.
Já deu pra perceber que eu tive uma relação de amor e ódio com esse livro, né? Eu dei apenas 3,5 ⭐ mas acho que essa história funcionaria muito bem para a mídia audiovisual. Se for adaptado eu certamente vou querer assistir, apesar das coisas que eu não gostei.
Antes da ficha técnica, preciso fazer um comentário sobre as capas: eu li o livro na edição em inglês da penguin (acho que UK), essa da foto aí do meio do texto que tem nuvens e um rastro do ônibus espacial. Eu gosto mais dessa capa, geralmente não gosto de capas com pessoas. Porém, a capa mais conhecida (a da ficha técnica abaixo) é perfeita para a história. Tem uma cena dentro do livro que dá pra visualizar perfeitamente essa capa como a própria representação da Joan. Muito legal.
Ficha do livro:

Título: Atmosfera
Autor: Taylor jenkins Reid
Ano: 2025
Minha avaliação: (3,5/5) ⭐⭐⭐
Sinopse: Joan Goodwin é obcecada pelo Universo desde que se entende por gente. Atenciosa e reservada, ela está satisfeita com a vida de professora universitária e como tia de Frances, sua sobrinha precoce. Isso até se deparar com um anúncio da Nasa à procura de mulheres cientistas interessadas em integrar o primeiro projeto do programa Ônibus Espacial. De repente, tudo o que Joan mais quer é ser uma das poucas pessoas a ir para o espaço.
Selecionada entre milhares de candidatas, Joan inicia o treinamento no Centro Espacial Johnson, em Houston, no verão de 1980 junto a um grupo excepcional: o piloto de caças Hank Redmond e o cientista John Griffin; a especialista de missão Lydia Danes, nem sempre a mais agradável; a calorosa Donna Fitzgerald, que navega nos próprios segredos; e Vanessa Ford, a misteriosa e encantadora engenheira aeronáutica capaz de fazer qualquer nave voar.
E então, em dezembro de 1984, durante a missão STS-LR9, tudo muda num piscar de olhos. Enquanto os astronautas aprofundam os laços de amizade e se preparam para os primeiros voos, Joan descobre uma paixão e um amor que nunca imaginou viver. Com um novo mundo diante de si, ela passa a questionar tudo o que sabe sobre seu lugar no universo.
Frenético, apaixonante e inspirador, Atmosfera é Taylor Jenkins Reid em seu melhor: transportando leitores para tempos e lugares inimagináveis, apresentando personagens complexas e reais e contando histórias comoventes sobre o poder do amor — dessa vez, entre as estrelas.
Finalizando...
Eu gostei dessa leitura e gostei bastante de ter dado uma chance para a autora. Tive altos e baixos durante a leitura mas tive também oportunidade de aprender muito e de me emocionar, apesar das ressalvas.
Enquanto eu lia o livro, acabei assistindo o documentário da Sally Ride que integrou a missãp STS-7 do ônibus espacial Challenger, aos 32 anos. Claro que ela foi um pouco inspiração para a personagem principal, mas a autora deixa claro que Joan não é Sally, apenas o enredo se inspira um pouco (bastante) na história dela.
E vocês? Já leram? O que acharam?
Até a próxima





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