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Último Natal em Paris | Resenha

11 minutes ago
6 min read

Olá, tudo bem?


Passando por este espaço para falar sobre uma leitura bem recente: "Último Natal em Paris" escrito por Hazel Gaynor e Heather Webb e publicado pela editora Principis. Esse livro foi uma indicação e eu não estava esperando nada dele, mas fui completamente fisgada. Quer saber um pouco mais sobre essa história? Fica aqui comigo para saber minha opinião com detalhes..



Um pouco sobre o enredo (sem spoilers)


O livro acompanha e história de três personagens principais: Thomas Harding, Will Elliott e Evie Elliott. Will e Evie são irmãos enquanto Thomas é o melhor amigo de Will.


Todo o enredo começa quando Will e Thom decidem, durante o período da primeira guerra (1914), se alistar para servir ao país. Eles, assim como outras pessoas, acreditam que todo o conflito estará acabado até o Natal e planejam então passar o Natal juntos em um dos maravilhosos cafés de Paris. Assim, Will e Thomas viajam enquanto Evie permanece na Inglaterra.


Após a partida eles começam a trocar cartas: tanto Evie para Will, como também Evie para Thomas. O problema é que a guerra não acaba até o Natal e acaba se estendo por alguns anos, tornando-se muito diferente de tudo que qualquer um dos personagens jamais podia ter imaginado. Enquanto Will e Thomas lutam nas trincheiras, Evie precisa tomar decisões em casa, baseando-se apenas em informações trocadas por cartas.


Intercalando a narrativa epistolar das trocas de cartas entre personagens, temos um Thomas mais idoso, viajando para a Paris de 1968, para cumprir um último desejo, sendo essa parte da narrativa um gancho para o desenvolvimento de todo o flashback que é mostrado na parte da narrativa epistolar.



Minhas impressões após a leitura de "Último Natal em Paris"


Quando fiquei sabendo sobre esse livro, me interessei imediatamente por ser um livro de ficção histórica com o tema centrado em uma das grandes guerras mundiais. Aí descobri que ele era epistolar e fui convencida adar uma chance. A narrativa epistolar é aquela cuja história se desenvolve principalmente por meio de cartas, diários, recortes de jornais, e-mails ou outros documentos trocados ou escritos pelos personagens. É um tipo de narrativa onde a nossa perspectiva, como leitores, é quase a mesma dos personagens, já que recebemos a mesma informação sobre a história (com poucos detalhes a mais).


Assim que comecei a ler, pensei que seria uma história menos profunda e menos emocionante, justamente por ser uma narrativa com essas características. Como eu estava enganada... é sim uma história profunda e muito emocionante, onde todas as peças vão se encaixando perfeitamente. E isso é o mais legal: ter apenas os fragmentos que os personagens tinham, fazendo com que eu tentasse preencher as lacunas e criar teorias.


No começo do livro, a única certeza que temos é que Thomas sobreviveu e que está indo realizar um último desejo em Paris: não sabemos de quem e nem qual desejo seria, exatamente. A premissa nos leva a entender que seria passar o Natal em Paris, já que a sinopse já entrega isso, né? Mas assim.... é isso, mas ao mesmo tempo, não é. O livro consegue trazer arcos de personagens muito maiores do que o que a premissa diz, com desdobramentos muito interessantes.


Ao partir para a guerra, Thomas é apenas um amigo mais distante de Evie, aquele amigo do irmão com quem ela conviveu por vários anos, mas sem muita proximidade. Isso é muito visível nas cartas trocadas por eles. Mas é claro que ela vai ir se apaixonando através da troca de cartas (e eu arrisco dizer que isso não é um spoiler pois qualquer um que já leu romances vai saber que teríamos o desenvolvimento indo por essa linha).


Não quero dar spoilers, então vou resumir os pontos que mais gostei, além da ambientação dentro de um conflito mundial e da narrativa epistolar:


Adorei o fato dos personagens serem afetados de maneiras bem distintas e de acompanhar a trajetória de cada um. Quando leio esse tipo de livro, penso em como é fácil julgar, sob a perspectiva de hoje, coisas que eram feitas por quem não ia para a guerra, as preocupações consideradas bobas frente ao todo do sofrimento de quem partia. No entanto, sob a ótica da época, fica claro que as pessoas que ficavam não tinham noção do tamanho e da proporção de tudo que acontecia para além do seu dia a dia. É meio que aquela coisa: a dor do outro não invalida a sua dor, sabe? Livros com essa temática são interessantes para que a gente lembre desse detalhe.


Evie foi uma personagem incrível. Achei bem legal perceber como ela vai encontrando a própria voz dentro de uma realidade que parece orbitar ao redor de outras pessoas. É uma personagem que cresce e que busca entender o que está acontecendo no mundo. Até um certo ponto, a história dela é centrada no romance e nos sentimentos por Thomas. Porém, chega um momento em que ela toma as rédeas do futuro, deixando de ser aquela pessoa que apenas espera por notícias do amado e passando a participar do debate sobre a guerra.


O que mais me marcou foi outra questão: esse livro fala bastante sobre desencontros e interpretações equivocadas da mesma verdade. O que pode acontecer quando a comunicação se quebra? Assim como nos nossos desafios e relacionamentos diários, uma informação não trocada ou uma palavra não dita, pode mudar toda a nossa forma de decidir sobre alguma coisa e trazer consequências muito complexas. Gostei muito que o conflito dessa história não se dá através de vilania ou de decisões absurdas. Ele nasce de falhas de comunicação que tomam proporções cada vez maiores, dentro de um cenário desesperador.


Acho que isso é bem comum em narrativas epistolares, mas nessa, em específico, a história começou pequena e foi ficando muito maior conforme avançava, conectando pessoas distintas. E o final... eu me emocionei bastante com o final mesmo tendo conseguido descobrir muitas coisas que iam acontecer. Achei que as autoras souberam amarrar bem as pontas de todos os arcos narrativos, dando um fechamento interessante para todos os personagens.


E teve uma surpresa maior ainda: no começo eu estava lendo cartas trocadas entre personagens para descobrir o que aconteceria com eles. No final, percebi que eu estava lendo justamente aquilo que os personagens decidiram preservar para que o que aconteceu na vida deles não fosse esquecido.


Vale a pena ler? Para quem eu indico?


Eu indico esse livro para quem gosta de ficção histórica e de narrativa epistolar. Achei que o livro tem uma certa semelhanca com outro que gosto muito: "A sociedade literária e a torta de casca de batata". Em ambos os livros você vai encontrar:


  • o formato epistolar

  • o cenário de guerra

  • o romance que nasce da distância

  • protagonistas feminininas encontrando voz e autonomia em tempos em que suas possibilidades eram limitadas

  • o poder da escrita e das palavras


Se a narrativa epistolar é algo que você gosta como leitor, existem vários outro livros que posso indicar, só me chamar para conversar. Dentre os menos conhecidos e que já escrevi a respeito no blog, consigo lembrar do "Cade você, Bernardette", que vai mais para a linha do chick-lit com um toque de mistério.


Se a temática histórica de guerra que atrai, o blog está cheio de recomendações que podem ser interessantes, já que é uma temática que eu adoro também.


Importante: recomendo que ninguém pegue esse livro para ler se deseja uma história realmente focada no Natal ou puramente em romance romântico. Ele não é um livro sobre o Natal em si. É um livro livre de cenas sensuais e picantes (hot).



Ficha do livro:


Título: Último Natal em Paris

Autor: Hazel Gaynor e Heather Webb

Editora: Principis

Ano: 2022

Páginas: 320

Minha avaliação: (5/5) ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse: Agosto de 1914. A Inglaterra está em guerra. Quando Evie Elliott vê seu irmão, Will, e seu melhor amigo, Thomas Harding, partirem para o front, ela acredita -- como todo mundo -- que tudo estará acabado até o Natal, quando o trio planeja comemorar o feriado entre os românticos cafés de Paris. Mas, como a história nos diz, tudo aconteceu de forma tão diferente... Hazel Gaynor juntou-se a Heather Webb para criar este romance que provou ser um dos melhores sobre o tema. Uma brilhante homenagem à tragédia da guerra e à resistência do coração humano.



Finalizando...


Antes de terminar o post queria falar sobre as lindas capas que encontrei dele por aí. Não sou muito de gostar de capas com pessoas mas adorei a capa da versão em alemão e da versão em inglês.




Até a próxima!

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