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Resenha | Terra Partida (Clare Leslie Hall)

  • 7 hours ago
  • 6 min read

Olá!


Chegando aqui para trazer minhas impressões sobre o livro "Terra partida" da Clare Leslie Hall, que foi publicado no Brasil em maio de 2025. É um livro bem faladinho na comunidade leitora e eu aproveitei que foi a escolha do mês de maio do clube que eu participo para pegá-lo.



Um pouquinho mais do enredo...


Esse livro é daquele tipo que já começa aguçando a curiosodade. Já nas primeiras frases descobrimos que um fazendeiro morreu e que alguém o matou, porém não sabemos quem é.

O fazendeiro está morto. Ele está morto. E tudo o que querem saber agora é quem o matou. Foi um acidente ou assassinato?

Depois dessa cena inicial onde ficamos sabendo que há uma morte, o livro passa a se dividir em três momentos distintos que recebem as seguintes identificações: "antes", "1968" e a parte do julgamento. Em cada um desses momentos, o livro acompanha a protagonista Beth.


O "antes" segue a vida de Beth em sua juventude (por volta dos 17, 18 anos) que é marcada por um romance de verão intenso com Gabriel. Gabriel, diferente de Beth, é um rapaz rico cuja família exerce bastante influência e é muito bem relacionada. Nesse momento da história também conhecemos Frank que é colega de Beth e é filho de fazendeiros da região. Beth e Frank costumam frequentar os mesmos locais.


Na linha de "1968" acompanhamos Beth com 30 anos, casada com Frank e que sofreu uma perda: o filho Bobby morreu há algum tempo, aos 9 anos de idade. Beth e Frank moram na fazenda e levam uma vida tranquila, apesar da perda. Até que Gabriel retorna para sua casa na cidade, junto com seu filho Leo, já que sua esposa os abandonou. A chegada de Gabriel e seu filho, claro, acaba por abalar a estabilidade de Beth e Frank.


Essas duas linhas temporais alternadas vão nos contando sobre os relacionamentos de Beth, Frank e Gabriel e sobre os acontecimentos que impactam cada um desses momentos, tanto no antes quanto em 1968, convergindo para a parte do tribunal (que também nos é apresentada de forma intercalada).  Entre memórias, luto, silêncios e relações atravessadas por culpa e desejo, o livro constrói lentamente uma narrativa sobre perdas emocionais, escolhas e tudo aquilo que permanece soterrado mesmo depois que a vida aparentemente segue em frente.



Minhas impressões e pensamentos:


Comecei essa leitura por influência coletiva. Apesar do livro ter entrado no meu radar na época do lançamento, eu não estava segura de que ainda queria lê-lo. Não gosto de histórias que envolvem triângulo amoroso e acho que esse tipo de história só funciona para mim se os protagonistas forem adolescentes. Porém, o clube estava completamente tomado por comentários, teorias e reações e, mesmo sentindo que talvez não fosse exatamente meu tipo de livro, resolvi me deixar levar pela experiência (até porque teremos adaptação dele, né?)


Logo vi que a escrita desse livro é daquele tipo que prende. É uma narrativa extremamente fluída, com uma estrutura que desperta curiosidade. Esse tipo de escrita costuma abrir perguntas aos poucos. É aquele tipo de livro que dá a sensação constante de que se observam consequências antes mesmo da compreensão das causas.


Porém, apesar da escrita que prende, eu não estive emocionalmente “dentro” da narrativa. Não sofri junto dos personagens nem torci desesperadamente por alguém. Observei tudo de uma certa distância, quase de forma analítica.


Em se tratando de enredo, temos sim um triângulo amoroso. A juventude de Beth é marcada por ele: Frank, o homem apaixonado por ela, e Gabriel, por quem ela realmente se apaixona. Confesso aqui que, se não fosse a linha temporal de "1968" alternada, eu não teria seguido com a leitura. Achei que a jogada da autora de estruturar dessa forma alternada convenceu muitos leitores que não gostam dessa coisa de triângulo.


Após a leitura, achei que o livro usou todo esse "triângulo amoroso clássico" para discutir destino, escolhas e pressão social do que propriamente para criar uma disputa romântica. No antes, a história parece nos mostrar que Beth foi sendo lentamente empurrada para uma vida que talvez não tivesse sido exatamente a que desejava. Na linha de 1968, senti um silêncio emocional enorme entre Beth e Frank, apesar da calma aparente.


A cena da morte de Bobby foi, para mim, a parte mais dolorosa emocionalmente. E o mais interessante foi que o livro pareceu anunciar essa tragédia muito antes dela acontecer. Depois dessa cena, em específico, comecei a enxergar o próprio título de outra forma. “Terra Partida” não me pareceu falar apenas da fazenda ou da natureza. Senti que foi o ponto de ruptura para a maioria dos personagens.


Eu estava gostando da história até certo momento da narrativa. Não faço resenhas com spoilers (acho que esse mereceria um post cheinho de spoilers) mas fica bem difícil eu falar o que não funcionou para mim sem dar spoilers. Acontece que, em um determinado momento do julgamento, a nossa protagonista fala uma frase que mudou completamente a minha experiência (quer saber mais sobre isso, me chama).


Apesar disso, o livro tem seus pontos positivos: acho que o suspense não pareceu nascer apenas do crime em si, mas sim das fissuras emocionais construídas silenciosamente ao longo da vida daqueles personagens. No fim, me pareceu muito mais um livro sobre silêncio, culpa, luto e relações emocionais rompidas do que apenas um suspense rural. Foi uma história que pareceu interessada em mostrar que certas tragédias começam muito antes do acontecimento final.



Finalizando...


Não sei dizer se foi por não ter conseguido mergulhar na história, se foi por não gostar de triângulos amorosos ou se foi pela frase do pensamento da protagonista no tribunal, mas não consigo dizer se gostei ou não e também não consigo fazer grandes recomendações.


A história me envolveu a ponto de eu criar teorias para explicar todo a motivo de existir um julgamento, mas não foi totalmente coerente dentro do meu universo ético e moral e não bateu tão bem com meu perfil leitor.


Por ter sido um livro que mexeu comigo tanto para o positivo e para o negativo, não soube avaliar com clareza. O que isso significa? Que não sou capaz de avaliar esse livro nem para o positivo e nem para o negativo. Decidi por um 3 estrelas bem neutro.




Ficha da obra:


capa do livro "Um passo de sorte" da autora Jojo Moyes

Título:  Terra Partida

Autor:  Clare Leslie Hall

Editora: Intrínseca

Ano: 2025

Páginas:  330

Minha avaliação:  (3/5) ⭐⭐⭐



Sinopse: Beth é uma mulher simples que vive uma rotina pacata no interior de Dorset com o marido, Frank. Seus dias se resumem a arrumar a casa e ajudar Frank e o cunhado, Jimmy, a cuidar da fazenda onde moram. Os três formam uma família feliz e unida, até que um incidente inesperado muda o curso de suas vidas: Jimmy atira em um cachorro que invade a fazenda, e o animal pertence a ninguém menos que Gabriel Wolfe, o homem que Beth amava na adolescência — e que partiu seu coração.

Gabriel retornou à cidade com seu filho Leo, um garoto que faz Beth se lembrar do próprio filho, Bobby, que morreu alguns anos antes. Em pouco tempo, mesmo sabendo que isso pode acabar prejudicando seu casamento, ela acaba se aproximando do menino, e, consequentemente, de seu ex. E à medida que é atraída de volta para a vida de Gabriel, as tensões aumentam e o ciúme se manifesta.

Beth e Frank têm um casamento feliz, mas os dois guardam segredos, e seu relacionamento depende de o passado permanecer enterrado. No entanto, quando a verdade começa a vir à tona, tudo sai do controle, e dessa vez as consequências são mortais. Então, Beth é forçada a fazer uma escolha: continuar sendo a mulher que se tornou ou se transformar na mulher que um dia desejou ser.

Broken Country é uma história de amor arrebatadora sobre escolhas impossíveis e consequências explosivas, que alterna entre o passado e o presente para explorar o legado que só o primeiro amor é capaz de deixar.



Agora quero saber de vocês: alguém mais terminou esse livro sem conseguir decidir exatamente o que sentiu? Quero muito ouvir outras interpretações, principalmente sobre os personagens, o julgamento e as escolhas da Beth. Então, se vocês já leram “Terra Partida”, me contem: vocês se conectaram emocionalmente com a história ou também observaram tudo mais de fora? Me conta nos comentários!


Até a próxima.

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