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Resenha | A vila dos tecidos #1 (Anne Jacobs)

  • Apr 12
  • 4 min read

Olá, leitores! Passando aqui para trazer meus pensamentos sobre o primeiro volume dessa saga que li recentemente. Antes de resumo da obra das minhas opiniões gerais, vou fazer uma pequena observação: eu amei demais a capa (adoro esse ar invernal) e eu absolutamente amei Downton Abbey!


Segue a ficha da obra e depois minhas observações.


Ficha da obra:


capa do livro "Um passo de sorte" da autora Jojo Moyes

Título:  A vila dos tecidos

Autor:  Anne Jacobs

Editora: Arqueiro

Ano: 2023

Páginas:  512

Minha avaliação: ⭐⭐⭐ (4/5)



Sinopse:  Augsburgo, 1913. Após uma infância difícil num orfanato, a jovem Marie finalmente consegue um emprego como assistente de cozinha na imponente mansão da Vila dos Tecidos. O conglomerado têxtil, que pertence à família Melzer, é um dos mais proeminentes da indústria alemã.

Ocupando o posto mais baixo na hierarquia dos criados, Marie precisa aprender a lidar com as intrigas e as disputas de egos, evitando criar inimizades ao mesmo tempo que se impõe para conquistar o respeito dos colegas.

Enquanto isso, a camada mais abastada da mansão anseia pela temporada dos bailes de inverno. Katharina, a caçula dos Melzers, está prestes a ser apresentada à sociedade e já tem até um pretendente. Mas a discreta e intrigante Elisabeth, que sempre teve inveja da irmã, pretende atrair a atenção do jovem para si mesma.

Já Paul, o herdeiro da família, é o único que prefere manter distância do agito e se dedicar aos estudos em Munique. Depois que conhece Marie, no entanto, ele passa a voltar para casa com cada vez mais frequência, e a amizade que nasce entre os dois poderá abalar para sempre as estruturas da Vila.



Minhas impressões e pensamentos:


Temos aqui a história de uma família (a família Melzer) onde o pai é empresário do ramo de tecidos e a mãe é de linhagem mais nobre, com dinheiro de família. O casal tem três filhos: Paul (o filho homem que está ainda perdido sobre o futuro, não sabe bem o que quer fazer da sua vida), Elisabeth (a filha mais velha que parece viver na sombra da irmã mais nova) e Katharina (a filha mais nova ao redor da qual a família toda parece transitar).


Nessa casa, além da família, habitam também os empregados com toda sua hierarquia e costumes. E eis que chega uma jovem órfã nessa casa para trabalhar como ajudante de cozinha: a jovem Marie, de 18 anos. É a partir da entrada dela na casa que a história dessa saga começa e as reviravoltas acontecem.


Esse livro é o "puro suco" de Downton Abbey!!! Eu confesso que, apesar de empolgada, comecei um pouco relutante pois sempre ouvia que o livro é mais parado, enrolado... arrastado. De fato, no começo acompanhamos só a caracterização de personagens e por isso a construção é mais lenta.


Porém, depois desse momento mais descritivo, eu encontrei: intriga entre empregados, escândalos sociais, relação patrões x empregados, fofocas de sociedade, contexto histórico, enfim... não achei nada parado. Vou ainda mais longe: percebi nessa história um drama com conflitos íntimos, tensão emocional contínua e envolvimento narrativo.


Ao longo da leitura, me vi completamente envolvida com os personagens… criando teorias, me irritando com alguns, torcendo por outros. É aquele tipo de história em que a gente não acompanha só os acontecimentos, mas as pessoas. E eu queria saber o que ia acontecer com cada um deles.


Achei legal a pequena pitada de mistério. Quem é Marie e qual sua relação prévia com a família Melzer? Eu curti muito esse estilo de escrita, mais demorado, porém mais constante. Achei que funcionou muito bem para essa história aqui. Eu, particularmente, adoro acompanhar vários personagens ao mesmo tempo desde que sob o prisma de algum aspecto unificador comum.


Essa história, na minha opinião, mostra um sistema de relações humanas onde o centro não é uma única pessoa e as histórias de cada peronagem seguem as relações interligadas entre pessoas, onde um acontecimento respinga em impactos para todos. Tudo isso dentro de um contexto histórico que já me agrada muito.


Além disso, é uma história de época sem cenas apimentadas. Adorei!


Nesse primeiro livro da saga acompanhamos:

  • Marie, sua chegada na casa, como ela transforma a família, o mistério sobre seus pais e sua relação prévia com a família Melzer;

  • Katharina e sua personalidade impulsiva que se reflete no próprio andamento da casa e na sua vida romântica;

  • Elisabeth e sua frustração consigo mesma frente ao que a irmã representa na família e na sociedade;

  • Paul e sua busca por propósito, uma transformação importante e seu romance;

  • O casal Melzer e seus conflitos em relação aos filhos e a posição social;

  • Os empregados, suas crenças, seus costumes e suas relações tumultuadas, não só entre eles mas por diversas vezes entre eles e a própria família que os emprega.


Apesar de ter gostado bastante da construção ao longo do livro, senti que o final foi um pouco mais apressado em comparação com o ritmo anterior. Alguns acontecimentos importantes se resolvem rapidamente, o que quebrou um pouco da imersão que vinha sendo construída com tanta calma.


E o final... por se tratar de uma saga, a autora coloca um cliffhanger estratégico para manter o interesse. Eu adorei esse gancho e acho que vale a pena seguir na leitura da saga. Quem é, afinal, o pai do bebê ? Só lendo o próximo volume para descobrir.


E aí, vale a pena ler?



Se você gosta de Downton Abbey, de ler mais sobre uma dinâmica familiar em um período histórico diferente ao invés da história única de um personagem, de ler sobre costumes, acho que vale a pena. Acredito que se você lida bem com um desenvolvimento um pouco mais lento, sem colocar um único foco principal em pauta, também vale. Eu nunca li, mas sinto que essa história iria pelo caminho do clássico Middlemarch em termos de narrativa (Middlemarch é um livro que quero muito muito ler, justamente por se tratar do retrato da sociedade de uma época com diferentes personagens sendo desenvolvidos ao mesmo tempo).


Já se você está acostumado com os tradicionais romances de época que se desenvolvem mais rápido e com menos arcos narrativos em um mesmo volume (outros personagens abordados mais "en passant" e o foco no romance de um casal), não sei se seria a escolha mais adequada, pode ser que tenha dificuldades com esse título.


É um livro longo sim e também bastante descritivo. Mas é uma história bem escrita, com capítulos que despertam curiosidade sobre o que vai acontecer com cada um frente a uma mesma situação.



Até a próxima.

n.52

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