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Impressões | Um Verão Inesquecível (Sarah Goodman Confino)

  • 17 hours ago
  • 5 min read

Olá leitores! Passando por aqui para falar de um livro que eu li com o clube que eu participo. Esse é um daqueles livros que eu não escolheria sozinha já que a sinopse remete mais ao romance romântico (que não é muito a minha praia). Quando ele ganhou a votação como livro do clube eu fiquei pensando se deveria ou não investir nessa leitura. Pela capa decidi dar uma chance e me surpreendi positivamente!




Ficha da obra:



Título:  Um verão inesquecível

Autor:  Sara Goodman Confino

Editora: Faro Editorial

Ano: 2024

Páginas:  288

Minha avaliação:  (3,5/5) ⭐⭐⭐✨


Sinopse: Após ser flagrada beijando Daniel, o filho do rabino, perante os olhares chocados da congregação, Marilyn vê se dissipar a aprovação dos pais para ir à faculdade. Então é enviada para passar um verão sob o olhar atento da tia-avó, Ada Heller, conhecida pela habilidade em restaurar reputações e arranjar bons casamentos. Contrariando as descrições austeras da mãe, Marilyn encontra em Ada uma figura inesperada: uma mulher audaz e independente, conduzindo sua vida e seus arranjos matrimoniais num ritmo inusitado. Sob a tutela de Ada, Marilyn aprende que o amor não se trata de um jogo de concessões, e começa a reexaminar suas escolhas amorosas bem como as expectativas impostas por outros. Enquanto ajuda Ada no delicado ofício de unir almas gêmeas, Marilyn se depara com uma verdade inabalável ― ela mesma não precisa se contentar com o pouco que até então estava disposta a aceitar... um pensamento que começa a crescer dentro dela... Com o verão atingindo seu ápice e a ameaça de isolamento pela família tornando-se cada vez mais palpável, Marilyn enfrenta um decisivo cruzamento de caminhos. Será que ela retorna à vida previsível que sempre conheceu ou arrisca tudo para trilhar uma rota nova, mesmo que isso signifique navegar um mar de incertezas?       




Antes de maiores detalhes, queria dizer que terminei a leitura com sentimentos um pouco conflitantes e achei isso muito bom sinal. Gosto quando um livro consegue provocar esse tipo de sentimento em mim. Normalmente significa que a leitura me envolveu de verdade e me fez pensar para além da história.


Como a sinopse já mostra, a história se passa nos anos 60 e acompanha Marilyn, uma jovem judia enviada para passar um tempo com a tia Ada após ser pega em uma situação considerada inadequada para a época. Ada vive em uma casa luxuosa, trabalha como uma espécie de casamenteira da elite e parece conhecer absolutamente todo mundo. Desde os primeiros capítulos, porém, existe um mistério ao redor dela. Quanto mais Marilyn passa a conviver com a tia, mais percebe que há coisas sobre sua vida e seu passado que nunca foram realmente explicadas. Agora Marilyn, com a ajuda da tia e de suas experiências, vai precisar pensar e decidir o destino do seu próprio futuro.


Minha opinião...


Esse foi um livro que começou de forma muito mais leve do que minhas leituras habituais já que a temática por si só não é pesada. Confesso que a ambientação nos anos 60, o humor, a personalidade impulsiva e petulante da Marilyn e a atmosfera de verão me prenderam rapidamente. Marilyn é uma mocinha de 19 anos muito petulante, cheia de si e daquele tipo que se acha, sabe?


Se para algumas pessoas essa petulância da personagem irrita, para mim foi um motivador de leitura. Eu queria saber como as coisas iam terminar para ela.


Mas foi a tia Ada que acabou se tornando o coração emocional dessa leitura.


Tia Ada é aquela personagem que tem uma maturidade muito bonita. Ada entende as pessoas, entende arrependimentos, entende o peso das escolhas e, principalmente, entende o custo da liberdade (durante a leitura vamos entendendo o motivo). Apesar de ela parecer durona,senti que ela enxergava Marilyn com uma clareza que a própria protagonista ainda não possuía sobre si mesma.


A relação entre Marilyn e Ada foi, sem dúvida, o ponto alto da leitura para mim. Conforme o livro avançava, fiquei cada vez mais curiosa sobre o passado da Ada e sobre as escolhas que moldaram quem ela se tornou e como ela agia com Marilyn. Foi por essa relação entre as duas que, em muitos momentos, senti que a história estava menos focada no romance e mais em discutir o que significa viver uma vida realmente sua. Acompanhamos uma relação de profundo afeto surgir de forma lenta, porém marcante.


Por outro lado, minha relação com a Marilyn mudou bastante ao longo da leitura. No início, adorei sua rebeldia e inconsequência. Depois, comecei a perceber algumas contradições nela, principalmente na forma como lidava com os sentimentos e os sonhos das pessoas ao redor. Isso tornou minha conexão com a personagem mais complexa. Marilyn amadurece ao longo da história sim, mas ela não amadurece a ponto de se tornar uma personagem coerente.


Uma outra coisa que gostei no livro foi a forma como ele trabalha diferentes formas de felicidade feminina. Marilyn passa boa parte da narrativa tentando se afastar da ideia de se tornar como a mãe, Rosa. Ela julga a mãe e suas escolhas sem ao menos se questionar sobre o motivo delas. Acho isso muito real inclusive fora da ficção já que observo que existe algo muito comum nas relações entre mães e filhas: muitas vezes rejeitamos partes da vida das nossas mães antes mesmo de entender quem elas são (ou foram/eram) como mulheres antes da nossa existência.


Achei muito bonito quando a história começou a mostrar que Rosa não era simplesmente uma mulher frustrada vivendo uma vida infeliz. Ela havia feito escolhas. Abriu mão de algumas coisas, sim, mas porque ganhou outras que também amava profundamente. A maternidade, por exemplo. E isso me fez pensar em quantas mulheres, ainda hoje, seguem negociando sonhos, tempo, carreira e identidade sem necessariamente enxergarem isso apenas como derrota.


O livro estava funcionando perfeitamente para mim até os capítulos finais. Eu estava completamente envolvida, refletindo muito e pensando na história mesmo fora dos momentos de leitura. O desfecho, porém, acabou seguindo um caminho um pouco mais fantasioso do que eu gostaria, e isso quebrou um pouco da coerência emocional que eu sentia até então. Minha principal dificuldade foi sentir que algumas conquistas vieram de forma fácil demais para Marilyn, enquanto outras personagens passaram a vida inteira pagando o preço pela liberdade que conquistaram.



Finalizando...


Existe uma leveza gostosa na escrita desse livro. Ainda que não tenha sido um daqueles livros perfeitos para o meu gosto literário, gostei de ter tido contato com ele. Mesmo com o final que não me agradou muito, achei que foi uma leitura muito marcante. Não é um livro que pretendo reler, mas foi um daqueles que vivi intensamente enquanto estava lendo. E isso, para mim, tem bastante valor.


Para quem eu indico o livro? Para quem gosta de histórias sobre relações familiares, amadurecimento feminino, liberdade e identidade.


E quem eu acho que deveria passar essa leitura? Quem procura um romance puramente romântico, quem prefere histórias totalmente realistas até o fim, quem gosta de protagonistas sempre coerentes ou fáceis de amar ou quem busca uma narrativa extremamente profunda ou emocionalmente devastadora.


Gostou desse post?

Me conta nos comentários!


Até a próxima.

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