A família perfeita (Lisa Jewell) | Resenha
Olá, tudo bem?
Trago hoje as minhas impressões após a leitura de "A Família Perfeita" da Lisa jewell. Esse é um livro cuja premissa me conquistou bastante em um primeiro momento: aquela atmosfera de mansão abandonada, acontecimentos bizarros e um passado misterioso. Parecia a combinação perfeita para uma história cheia de segredos e reviravoltas.
Um pouco sobre o enredo (sem spoilers)
Essa história começa quando uma jovem chamada Libby completa 25 anos e recebe uma carta contando que ela agora é herdeira de uma mansão. Mas o que será que aconteceu nessa mansão 25 anos antes?

Os jornais noticiaram que três pessoas foram encontradas sem vida na cozinha dessa casa enquanto um bebê saudável e feliz foi encontrado dentro de um berço, no andar de cima. Esse bebê era Libby.
Mas Libby não é a única sobrevivente, outras pessoas também esperavam esse dia para contar suas próprias histórias. A partir daí, aos poucos, o leitor acompanha os acontecimentos do passado, tentando compreender como a situação chegou àquele desfecho.
O que eu achei sobre a leitura de "A Família Perfeita" (com alguns spoilers)
Bom, vamos lá. Peguei esse livro pra ler super empolgada pela premissa que prometia vários elementos que eu normalmente gosto muito. Só que eu preciso dizer pra vocês que essa leitura não me envolveu tanto quanto eu esperava.
Como pontos positivos, não posso negar que é um livro estilo "vira-páginas". Ele é cheio de plot twists e tem capítulos curtos, ou seja, a narrativa é fluída e prende. Toda a história é narrada alternando diferentes pontos de vista: Libby (que narra os fatos do presente, desde o recebimento da carta até a solução do mistério), Henry (uma das pessoas que morava na casa e a que conta ao leitor os acontecimentos do passado) e Lucy (outra habitante da casa que serve como elo de ligação entre as duas narrativas, porém ela tem seu próprio arco e só conhecemos o papel dela lá no final).
O grande problema, para mim, foi que eu não consegui me conectar com o tema abordado, sabe? Não consegui "comprar" essa história. Vou tentar explicar: temos uma família mora em um casarão e acaba por ter essa casa escolhida para a gravação de um videoclipe. Até aí, tranquilo (eu consigo entender que a casa ficou um tempo com pessoas estranhas transitando). Após a gravação do vídeo, a banda e o pessoal de apoio vai embora.
O que eu não comprei mesmo é que passa um tempo e uma das pessoas da banda procura o casal dono da casa dizendo que precisa de um lugar para morar pois foi despejado de onde morava. A família que mora na casa aceita. Eu achei isso bem bizarro, mas tolerável. Seria plenamente possível acreditar que um laço de amizade se formou durante as gravações e que, a família proprietária da casa está fazendo um ato de gentileza. Só que, logo após, chega mais um desconhecido e se instala lá sobre um pretexto questionável e a família aceita novamente. Assim, do mais completo NADA! E foi nessa parte que o livro me perdeu. O pretexto para a entrada dessa nova pessoa não justificou a necessidade de morar ali, um pretexto fraco, na minha opinião.
Apesar disso, achei que o mistério tinha um enorme potencial, especialmente por envolver muitos segredos e manipulação, mas eu não consegui passar por cima da ingenuidade das pessoas da casa. Eu passei muito tempo tentando entender o motivo pelo qual as pessoas se submetiam a tudo que estava acontecendo, sem questionar, sem estranhar... Fui ficando braba, querendo dar um chacoalhão naquelas pessoas.

A autora entrega no final algumas coisas que, na minha opinião, precisavam ser contextualizadas antes, para eu comprar a ideia toda. E sim, há explicações interessantes para os fatos que ocorrem depois, durante a permanência dessas pessoas "externas" quando já estavam instaladas na casa.
Gosto de histórias que narram conflitos familiares, mas, talvez por estar esperando algo diferente, não consegui me afeiçoar a nenhum personagem. Achei eles meio ingênuos demais, meio passivos demais diante da gravidade de todas as situações que aconteciam dentro da casa. Na linha temporal do passado, o narrador até mostra estranhamento perante todas as situações. Porém, ele parece ser o único na casa toda. Apesar de entender que a autora talvez tivesse justificativas para isso (ex. o narrador não ser um adulto, não querer dar mais contexto ao leitor para criar tensão), eu não me adaptei a essa escolha narrativa.
Por fim, achei que alguns arcos não tiveram final. A autora colocou coincidências estranhas que foram me fazendo criar teorias sobre algumas coisas (para quem leu: a colega de trabalho da Libby que passa pela mesma situação que ela), mas que no final ficaram apenas no campo das coincidências. Também deixou personagens com final aberto, mesmo sendo personagens que tiveram alguma importância em momentos da história.
Outra coisa que não entendi bem foi a necessidade dos três pontos de vista. Dois deles fizzeram muito sentido, mas houve um deles (Lucy) que me pareceu não agregar diretamente na história, ou seja, estava lá mas suas partes não agregavam ao todo. Na maior parte da história eu não me importei com ela e, quando a revelação ocorre, segui sem me importar.
Vale a pena ler? Para quem eu indico?
No geral foi uma leitura interessante em alguns aspectos, mas que não deixou em mim uma marca muito forte. A premissa era boa e reconheço que o livro tem ritmo e reviravoltas, mas não consegui me envolver com o enredo de forma satisfatória.
Indico para quem gosta de thrillers que prendem atenção, com capítulos curtos e segredos familiares. Já quem valoriza personagens cujas atitudes sejam realmente convincentes e prefere que todos os arcos tenham fechamento mais claro podem sentir a mesma frustração que eu.
Ficha do livro:

Título: A família perfeita
Autor: Lisa Jewell
Editora: Intrínseca
Ano: 2022
Páginas: 400
Minha avaliação: (2/5) ⭐⭐
Sinopse: Logo após seu vigésimo quinto aniversário, Libby Jones chega em casa e encontra a carta que esperou por toda a sua vida. Ao abri-la, a jovem tem apenas uma coisa em mente: enfim vai saber quem ela é.
Em pouco tempo, Libby descobre não apenas quem são seus pais biológicos, mas também que é a única herdeira de uma mansão abandonada que vale milhões. Tudo na sua vida está prestes a mudar, mas o que ela não sabe é que outras pessoas também estavam aguardando esse dia ― e que seu destino está prestes a colidir com o delas.
Vinte e cinco anos antes, a polícia foi ao casarão após receber o chamado de que havia um bebê chorando. Quando chegaram, os policiais encontraram uma menininha de dez meses, saudável, balbuciando alegremente em seu berço. Na cozinha, porém, jaziam três cadáveres em decomposição, todos vestidos de preto, ao lado de um bilhete rabiscado às pressas.
A família perfeita acompanha a história de uma casa com um passado sinistro, em que o leitor vai em busca da verdade por trás de circunstâncias bizarras que se agravam a cada página.
Finalizando...
A família perfeita foi uma daquelas leituras em que a curiosidade pela premissa não se transformou no envolvimento que eu esperava. Acho que a direção que a trama tomou não correspondeu ao tipo de suspense que eu tenho mais afinidade.
E você, já leu esse livro? Concorda comigo?
Até a próxima!





Comments